quinta-feira, 29 de julho de 2010

Ainda prefiro o Tarantino

É perfeitamente comum testemunharmos atualmente diversas manifestações revolucionistas e protestantes contra vários sistemas e organizações poderosas, a exemplo dos wannabe anti-americanos, aqueles punks que só comem o que cai no chão, família restart, etc.


De qualquer forma, essa não é uma delas, só escrevo este post pra divulgar um filme que vi há tempos e acho que deve despertar o interesse na maioria das pessoas. Trata-se de um documentário sobre a relação da mídia com o poder no Brasil, criado em 1993 por Simon Hartog, através do Channel 4, do Reino Unido.


O filme se estrutura, com prioridade, na Rede Globo de Televisão, fazendo uma analogia de Roberto Marinho com Charles Foster Kane. Este último é um personagem criado por Orson Welles em um filme de 1941, baseado na vida de William Randolph Hearst, dado como homem de extrema influência na mídia dos USA.

O filme foi exibido em setembro de 1993, na Inglaterra, após adiamento de um ano por intervenção judicial da Rede Globo. Nesse interim morre o diretor do filme de causas naturais [e eu sou o bozo].


O filme, no Brasil, seria exibido no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro em junho de 1994, quando, um dia antes, a Polícia Militar do Rio recebe a ordem de apreender os cartazes e a cópia do filme. Três dias depois é afastado o Secretário da Cultura.


Simon Hartog, antes de morrer (claro), fez um acordo com as redes televisivas brasileiras para que o documentário não caísse em poder da Globo, a qual tentou, desde 1990, comprar os direitos de exibição do filme britânico. Só em 2009 que a Rede Record conseguiu o que vinha tentando há mais de uma década: os direitos de exibição do filme no Brasil por seu produtor, John Ellis. Hoje, entretanto, a emissora aguarda revogação de uma decisão judicial que a proíbe de exibir o filme.

O filme, segundo seguras fontes da Wikipedia =]], também foi baseado em livros como Afundação Roberto Marinho, Romero Machado e A História Secreta da Rede Globo, Daniel Herz.


Enfim, com a maravilha da internet e dessa maldita inclusão digital [ http://www.youtube.com/watch?v=f5Pjo0WjBcs ], não é difícil encontrar o filme por aí, eu ia colocar a cópia que eu tenho em um host mas deu preguiça, so, suit yourselves. Aí tem em partes, mas nao conferi. http://www.videosurf.com/beyond-citizen-kane-69796




Obs: reforma ortográfica de charlie é romeu. =]
Obs2: não sei nada de webdesign =]]]]]]]]]]

terça-feira, 13 de abril de 2010

Só pra fazer espalhar a poeira que se acumulou nessa página resolvi postar alguma qualquer coisa curiosa.

Primeiro, dá uma olhada nesse trailer (não vou fazer resenha/publicidade de jogos ¬¬):



Fallout é uma série famosíssima de um jogo que se passa no futuro, entretanto em uma linha-do-tempo alternativa, que se divide da realidade após a segunda guerra mundial. Até a Great War em 2077, o mundo em Fallout era dominado pela notável cultura americana de 1950, mas com uma progressão tecnológica extremamente maior.
A Great War, algo como Grande Guerra (apesar de condenar mortalmente traduções :F), foi o evento mais importante na ficção, quando, em 23 de Outubro de 2077, os EUA, China e outros países com arsenal nuclear bombardearam uns aos outros numa rápida troca de ogivas nucleares em um período de duas horas. A humanidade destruiu a superfície da terra, devastando a fauna e a flora quase completamente.
Enfim, o ponto chave é que, na iminência da guerra nuclear, uma empresa chamada VaultTec construiu abrigos subterrâneos e vendia como apartamentos em condomínios, vide publicidade comercial do vídeo.


Agora dá uma olhada nesse vídeo:


Na “iminência” do fim do mundo, como dizem os doismiledozenáticos, uma empresa agora cria abrigos subterrâneos para abrigar aqueles que vão repovoar a terra depois que tudo for destruído por erupções vulcânicas, ou maremotos, ou meteoros ou guerras nucleares. Vai saber.
E pra quem não tiver cacife suficiente pra bancar um abrigo na Vault VIVOS, tem um site que promete resolver teu problema por 18 dólares mais frete =] http://store.2012pro.com/buildabunker.htm (euquero)

Alguém sabe quanto fica o frete? Hehe.

ME – DO – NHO.



PostScript: quem tiver se interessado pelo jogo, procura que vale a pena

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

sem título

Essa coisa disforme que deveria ser um blog com postamentos(?) periódicos se transformou em um daqueles lugares esquecidos, que nunca têm nada de novo e ninguém mais vai. De certo tempo indistinto não há nada original por aqui (tá, é distinto, é só olhar a data do último post, mas vamos dar um ar mais poético, vai) e existe desculpa explicação plausível pra isso.
Num dia desses, eu me encontrava reclamando as agruras da vida - essa que, por melhor que esteja, tendemos naturalmente a dizer que não está – e descobri que, dentre todas as outras conseqüências relativas ao serviço e rotina, desaprendi a escrever.
É sério, há vontade de ter o que escrever, mas talvez a inepta rotina de estudar pra provas cada vez mais absurdas me tem levado à incapacidade de desenvolver algo de interessante pra consolidar em boas e harmônicas estruturas gramaticais. Olha que fofo =]
Sempre achei infelizes aquelas compilações de escritos que falam de uma só pessoa, geralmente ele mesmo, por parte dos autores de tudo que se lê normalmente por aí. Entretanto, encontro-me em situação ligeiramente semelhante, escrevendo aleatoriamente, coisas que ninguém quer ler, pela simples vontade de escrever. É fácil notar isso nas frases indiretas e demasiadamente prolixas, característica do escritor que não tem nada a dizer, como dizia Schopenhauer.
Aliás, esse cara foi um crítico frenético da literatura alemã do século XIX, condenando as massas que liam apenas o que era novo e ignoravam o que era bom (segundo ele), quase insultando Hegel, Schelling e Fichte, enquanto alegava que eles escreviam livros por dinheiro, dada a excessiva prolixidade e falta de clareza. Pra ele, essas formas de escrita eram puro charlatanismo – mas, no fim das contas, a frustração das obras (que não tinham muita repercussão) nem deve ter inspirado a meter a língua em todo mundo, né?
Falando nisso, já que o desaprender a escrever é conseqüência do desaprender a pensar, faço uma citação aleatória de um conto do H. P. Lovecraft, só pra contrastar a estrutura de quem escreve(ia) de verdade.

“As cavernas inferiores não são para os olhos que vêem e podem compreender, pois seus prodígios são estranhos e terríveis. Maldito o chão onde pensamentos mortos vivem de novo em corpos grotescos e diabólica a mente que não é segura por uma cabeça. Sabiamente disse Ibn Schacabao que feliz é a tumba onde não jaz um mago e feliz a cidade à noite cujos magos são todos cinzas. Pois é um velho rumor que a alma comprada pelo demônio não surge do barro sepulcral, mas cresce e instrui o próprio verme que a devora; até que da decomposição nasce uma vida horrenda e os comedores de carniça embotados da terra se fortalecem com astúcia, crescendo assustadoramente como flagelos e nela causando dor. Grandes buracos são cavados em segredo onde os poros da terra deveriam ser suficientes, e seres que deveriam rastejar aprenderam a caminhar.” – Necronomicon, por Howard P. Lovecraft.

Enfim, graças a uma sanção disciplinar no quartel, da qual tenho responsabilidade mínima, fiquei aqui escrevendo esse monte de groselha que um ou dois vão ler só porque eu pedi.
E, já que não pensamos, vamos ao menos ler bons livros. haha

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

The Riddler

“One would have to be severely paranoid to read threats into harmless riddles, Doctor Young. May I test you with one?”

“Very well.”

“What is it that walks on four legs, then two legs and finally three legs?”

“A human being. As a baby it crawls on four legs, as an adult on two and in later years it uses a cane.”

“Good try, but the answer to all three is a baby. True, it crawls on all fours, but cut off its legs and it can only wiggle on two limbs. Give it a crutch; it can hobble around on three. You see?”

“That’s horrible. How can you even joke about that?”

“Easily, Doctor. It’s not my baby.”

Dr. Young’s interview with Edward Nigma, The Riddler.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Morpheus

Pretendia escrever algo que não fosse maçante ou ignóbil, pra variar, mas depois de apresentar um tema/título (que a gente sempre fica idealizando incríveis construções lingüísticas) a inspiração me abandonou rapidamente.

Daí, portanto, muito mais fácil valer-me daquele esquema que compreende falar sobre a idealização do texto em desenvolvimento, dessa forma eu mato algumas linhas e ainda pesco algum escopo pra trabalhar em cima. Infelizmente vou continuar enrolando até que algo menos imbecil do que jogos ou músicas surja.

Isso talvez possa virar um artigo sobre como sou incapaz de desenvolver textos aleatórios na ausência de ordem anterior – e externa – que justifique e norteie a sua criação. Apontando inadvertidamente, isto se torna um relatório prolixo recheado de idéias desconexas e dispersas, sem qualquer valor cultural, digno de ser excluído dos anais de qualquer acervo.

Felizmente, pra mim, administro meu próprio espaço de publicação - e não dependo de artigos publicados pra prover o próprio sustento – ou estaria fadado ao fracasso. Vez que não é recomendável se expressar quando não se tem algo a dizer, resolvi fazer um estudo de caso sobre os estágios do sono.

Photobucket

Esta foto apresenta características típicas de sono induzido, onde o indivíduo entra em transe após algum tempo exposto a assuntos que não despertariam interesse em ninguém.

É possível notar a plena capacidade mental do avaliado no período que compreende o primeiro parágrafo, a escrita cursiva não apresenta traços significativos de inabilidade ou desatenção.

O segundo período, que compreende da 5ª a 13ª linha, apresenta leves traços de ausência de precisão, muito provavelmente associadas à má postura e desinteresse pelo assunto ministrado.

O terceiro – e mais crítico – período compreende o total desvinculamento do indivíduo com o plano material, sendo abduzido mentalmente e se perdido em infinitos devaneios. A escrita é ausente, sendo substituída por diversos rabiscos ininteligíveis efetuados mecanicamente, talvez até resultado de influências oníricas.

Para efeitos de comparação, existe um registro nas últimas linhas da página que é referente a outro dia, novamente revigorado.

A aula referente era Direito Processual Civil, aos que conhecem. Vejam que meu caso é de plausível justificativa.

Se alguém souber o que escrevi naquele trecho, por favor, avise. Acho que vou ter prova disso. Hehe.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Dawn is Breaking - Greet the New Day

Que agonia sufocante é começar a escrever qualquer coisa, tão complexo e impedidor é um espaço em branco que não rejeita nada nem pede nada - como dizia Schopenhauer. Talvez o costume de compor redações sobre temas previamente estudados nas provas semestrais às quais me habituei tenha enferrujado a criatividade e competência, antes ligeiramente dominadas, que me garantiam a capacidade de escrever alguma coisa sobre qualquer coisa, back in the Day.

Talvez falar sobre assuntos que aspiram à física teórica, tecnologia militar ou literatura fosse interessante, pensei primariamente, mas o invisível me saltou aos olhos quando resolvi rascunhar a contra-capa do bloco, perfeitamente limpo e novo, de folhas de fichário: eu não sei nada sobre nenhum desses assuntos, concluí.

Bom, não sei nada que ninguém não possa encontrar nos 214.000 resultados para ____ (0,32 segundos) do Google, ou ter lido algo sobre na Quase Super Interessante do último mês (que até tava mais interessante que o usual). Entretanto, se deixasse tais pontos limítrofes influenciarem na produção desse meu teXtículo (He He He ), ele não sairia de mera tentativa. Portanto, ignorarei quaisquer críticas que atestem as idéias infrutíferas aqui publicadas.

Seguido da afronta contra alguma Resistência, uma mera ressalva psicológica que manteria um certo bom humor diante de rejeição, atesto para os devidos fins que não tive tempo pra fazer um blog apresentável, daí o uso seletivo daqueles esquemas prontos do BlogSpot. Destarte, o desleixo vai além de mera incompetência e atinge o limiar da incapacidade [Conste que não rejeitaria alguém que, de boa vontade e bom coração, se sujeitasse a fazer uma cara legal pro blog. Vai que eu posto mais coisa. hehe].

Terminado o prólogo, ressuscita-se o Golem que barrava meu fluxo de idéias e impedia qualquer produção, por mais nonsense que fosse, de se tornar algo mais concreto que pensamentos e idéias espalhados desordenadamente como peças de um quebra-cabeça, recém extraído da caixa, no tapete da sala.

Talvez comentar sobre artigos de revista, atrocidades banais e músicas aleatórias fosse algo que pudesse resultar em alguma coisa mais interessante que as notícias da UOL, quem sabe.

Nesse mês vi um artigo de uma página na Super que falava sobre invisibilidade, resume-se no fato de que cientistas alemães criaram uma estrutura feita de polímero e ouro que desviava a luz incidente sobre a própria sem influenciar em seu destino, tornando, assim, o material (que tinha a espessura aproximada da de um fio de cabelo) invisível a qualquer receptor que dependesse de luz.

Interessante dispor que o fato de o material ser tão pequeno não torna o feito menos fantástico. Massas mais volumosas que nosso fio de polímero e ouro só foram submetidas à invisibilidade de alguns tipos de luz, como a infravermelha.

Citei o episódio da conquista científica pois ele me lembrou das teorias Sci-Fi que eram especuladas por mim e um amigo do colégio, o Marcelo, vulgo Piibur, enquanto aleatoriamente profanávamos aulas (de biologia, principalmente) com pobres (e inocentes) suposições físicas, químicas e matemáticas, reinventando a roda (Reinventing the Steel) e inventando o Efeito Bolha sob a crosta terrestre.

O mais interessante é que, em meio a amistosos de Magic - the Gathering, teorizávamos RailGuns, GaussGuns, invisibilidade, Metal Gears e barcos de controle-remoto. Desnecessário dizer que nenhum deles saiu das planilhas, thank god.

Mudando da água pra cachaça, lembrei da atrocidade banal da qual me referi anteriormente. Vi junto a um colega do pelotão uma necropsia (não é proparoxítona) de uma menina de pouco mais de um ano, da qual foram retirados vários pacotes de cocaína que estavam cuidadosamente alojados em sua caixa torácica. A brutalidade se resume em um método utilizado por traficantes, consistindo em raptar uma criança, extrair-lhe alguns órgãos e posicionar os papelotes da droga. Uma pessoa passa carregando a criança que, visivelmente, dorme em seu ombro passa despercebida de fiscalização. Claro, o vídeo é repulsivo e a matéria no email é passível de dúvida, mas considerando que seja verdade, da forma que me foi apresentada, é supérfluo comentar o quão selvagem e cruel isso chega a ser. Quase faz chorar colocar-me no lugar dos familiares da menina, ou no lugar dela mesma.

Tal passagem me faz ter AINDA MAIS apreço pelos farinheiros e maconheiros, tratados amplamente como “doentes”, que dividem o espaço com todo mundo na sociedade que nos aguarda toda vez que cruzamos o portão da rua para qualquer coisa. Chega a ser pavoroso pensar que isso acontece e não há ordem nem marcação lógica para que marginais exponham nossos entes queridos, ou nós mesmos, a atrocidades só antes vistas nós vídeos de decapitação no Oriente Médio.

O pior de tudo é encarar fatos tão marcantes com um tom débil e banal, às vezes fascinante, de uma torcida nos lábios e inclinação da cabeça, pra depois lembrar que nos esquecemos de pegar alguma coisa na cozinha, ou que algum filme vai começar e deixar que o mundo nos engula, enquanto a Violência travestida faz seu ‘trottoir’, assim dito por Humberto Gessinger em algum lugar no tempo.